Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro (PL) diz que pretende privatizar BB e estatais
Matérias repercutidas em toda a grande mídia revelam que a provável ministra da Economia do candidato Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, anunciou que pretende vender o BB para o setor privado, caso seu candidato ganhe a eleição
Segundo matéria do site “Investidor 10” e de vários órgãos de comunicação da mídia, a economista e coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, anunciou que o candidato pretende se desfazer do Banco do Brasil (BB). O projeto do candidato de extrema-direita teria sido confirmado em reunião com empresários do grupo Esfera Brasil, no dia 14 de setembro, em São Paulo.
Inspiração em Milei
A coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro disse que as medidas econômicas que pretende implantar no Brasil, que inclui as privatizações, são inspiradas no governo de Javier Milei, da Argentina.
A sinalização gerou debate e preocupação em muita gente. É que Milei privatizou pelo menos seis grandes estatais e empresas públicas, inclusive o principal banco público do país, o Banco de La Nacion Argentina e os Correios. A Argentina vive o agravamento da recessão, com cortes de diretos trabalhistas e de investimentos sociais, desemprego e arrocho salarial. A economia encolheu 0,6% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. O recuo do PIB (Produto Interno Bruto) é refletido pela deterioração do poder de compra das famílias argentinas, do mercado de trabalho e dos investimentos das empresas do setor produtivo.
Povo argentino arrependido
No segundo trimestre, em comparação com os três primeiros meses do ano, o PIB argentino recuou 0,6%, em meio a quedas do consumo privado e do investimento, apesar de 2% acima dos três primeiros meses de 2025. E mesmo quando apresenta pontuais sinais de melhora em alguns setores é sempre à custa do sacrifício dos trabalhadores argentinos. O resultado político não poderia ser pior: segundo pesquisas recentes, a desaprovação do governo Milei pela população varia de 58% a 62% e os trabalhadores estão nas ruas protestando, inclusive àqueles que votaram no presidente da extrema-direita e se dizem arrependidos.
Sonho dos Bolsonaros
No Brasil, não é de hoje que a extrema-direita sonha em privatizar o Banco do Brasil e as empresas públicas e estatais, exatamente como no atual modelo argentino citado pela economista de Flávio Bolsonaro.
Durante o governo do pai de Flávio, Jair Bolsonaro (PL), o então ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião ministerial, em 2021, afirmou que o BB era um caso “pronto para ser vendido”. “Um plano para os próximos dez anos é continuar com as privatizações. Petrobras, Banco do Brasil, todo mundo entrando na fila, sendo vendido e transformado em dividendos sociais. Para mim, estatal boa é a que é privatizada”, afirmou o ministro de Bolsonaro na ocasião.
Com a derrota de Jair Bolsonaro e a volta de Lula ao Palácio do Planalto nas urnas, em 2022, e a organização de luta dos sindicatos o “sonho” de privatizar o BB e outras estatais e empresas públicas foi abortado.
Agora, nas eleições deste ano, a pauta das privatizações está de volta por meio do programa de governo do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro.
Dois projetos distintos
Na avaliação do diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários), Alexandre Batista, as eleições deste ano são o embate entre dois projetos distintos que estão em jogo: o do fortalecimento do setor público, com a reeleição de Lula, e o das privatizações, inclusive de áreas estratégicas, projeto de Flávio Bolsonaro.
“Infelizmente, não é surpresa e nem novidade para ninguém, que a oposição ao Lula quer implantar o modelo argentino privatista de venda dos bancos e empresas públicas e eles não escondem isso. E aqueles que não se aperceberam disso também poderão pagar um preço caro no futuro. E pior, estarão ajudando a arrastar todos nós a um retrocesso sem precedentes”, alerta o dirigente sindical.
“Quando falamos de política, muitos nos criticam, mas o que precisa ficar claro é que a classe patronal se organiza, elege seus representantes e, cada vez mais, impõe derrotas para a classe trabalhadora. Precisamos defender projetos que promovam, principalmente no nosso caso, um Banco do Brasil forte, indutor de políticas públicas, fomentador da economia familiar e presente em todos os cantos do país. A lógica desse projeto privatista é exatamente o oposto e deve ser combatido para o bem do nosso país e do nosso povo”, ressaltou Alexandre, acrescentando que esta eleição é desafiadora também para a defesa da democracia e o combate à tirania.
Fonte: Seeb-Rio de Janeiro



