Financiários iniciam negociação da Campanha Nacional 2026 com debate sobre reivindicações prioritárias
Primeira rodada de negociação com a Fenacrefi foi realizada nesta quarta-feira (23), em São Paulo, e debateu os principais eixos da pauta da categoria
Os financiários iniciaram, nesta quarta-feira (23), em São Paulo, a primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2026 com a Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi). A negociação foi dividida em dois blocos ao longo do dia, com o debate dos principais eixos da pauta de reivindicações da categoria.
Na parte da manhã, foram discutidos temas como a abrangência da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a contratação de trabalhadores do Ramo Financeiro, a redução da jornada, o teletrabalho e o trabalho realizado fora das dependências das empresas, as homologações, a proteção aos trabalhadores desligados, o uso ético da tecnologia e o combate à terceirização.
Para Talita Régia, secretária do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, a primeira rodada abre um processo importante de negociação e o movimento sindical espera avanços nas discussões com a Fenacrefi. “Estamos iniciando um processo de negociação com temas muito importantes para os financiários. Esperamos que, ao longo das próximas rodadas, possamos avançar nas nossas reivindicações e construir propostas que representem melhorias nas condições de trabalho e na proteção da categoria”, afirma Talita.
Abrangência e contratação no Ramo Financeiro
Entre os primeiros pontos debatidos estão a abrangência da CCT e a contratação dos trabalhadores que atuam no Ramo Financeiro. A proposta de abrangência busca assegurar a aplicação da Convenção Coletiva aos trabalhadores de empresas que atuam na concessão de crédito, financiamento e investimento, incluindo financeiras, administradoras de cartões de crédito, promotoras de venda e crédito, sociedades de crédito imobiliário, empresas de arrendamento mercantil, instituições de pagamento e outras empresas que operem na área de crédito.
Outro ponto prevê o compromisso de discutir a contratação dos trabalhadores que exercem atividades no Ramo Financeiro, incluindo aqueles vinculados a financeiras, prestadoras de serviços de crédito, administradoras de cartões, promotoras de venda e crédito, empresas de arrendamento mercantil e instituições de pagamento.
Redução da jornada
A redução da jornada está entre os principais temas da pauta. A reivindicação é por uma jornada de cinco horas diárias, sem redução do salário ou da remuneração já recebida, em quatro dias por semana, totalizando 20 horas semanais.
A proposta prevê ainda que a jornada possa ser cumprida entre segunda e sexta-feira, com intervalo de 20 minutos para refeição ou descanso incluído na jornada.
Teletrabalho e trabalho remoto
A categoria reivindica parâmetros mínimos para o teletrabalho, o trabalho em domicílio e o trabalho remoto, além da formalização das condições dessa modalidade de prestação de serviço.
Também está em debate a realização de acordo específico para estabelecer o regime e as condições de trabalho dos empregados que desempenham suas funções fora das dependências da empresa.
Rescisões e proteção ao emprego
Outro eixo discutido na rodada envolve a proteção dos trabalhadores no momento da rescisão contratual. A reivindicação é que as rescisões dos contratos de trabalho sejam formalizadas no sindicato dos empregados, permitindo a conferência e a fiscalização dos direitos rescisórios. A categoria também reivindica uma indenização especial ao empregado dispensado sem justa causa durante a vigência da CCT, conforme os critérios estabelecidos na proposta.
Tecnologia e relações de trabalho
O impacto do avanço tecnológico nas relações de trabalho também está entre os temas prioritários. A proposta busca estabelecer princípios para o uso de tecnologias e mecanismos de fiscalização do cumprimento das obrigações assumidas pelos trabalhadores, inclusive em situações de teletrabalho e trabalho remoto. A fiscalização deverá respeitar princípios de finalidade, proporcionalidade, transparência, privacidade e intimidade, em conformidade com a legislação vigente e com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A categoria também reivindica que as empresas não realizem captura de imagens ou áudios dos empregados para fiscalização da jornada durante o teletrabalho e o trabalho a distância. Outro ponto previsto é a necessidade de avaliação humana para decisões relacionadas a avaliações, advertências e medidas disciplinares, evitando que essas decisões sejam tomadas exclusivamente por sistemas automatizados.
Terceirização
A suspensão da terceirização e da intermediação de mão de obra também foi debatida. A proposta prevê a suspensão de projetos de terceirização, contratações por empresas de intermediação de mão de obra e transferências para empresas do mesmo grupo ou holding.
A reivindicação também busca impedir a terceirização de atividades das empresas e o enquadramento dos trabalhadores em categorias diferentes da dos financiários.
Saúde, segurança e proteção aos trabalhadores
Na parte da tarde, as discussões foram voltadas para temas relacionados à saúde e segurança no trabalho, prevenção, combate ao assédio e à discriminação. Entre as reivindicações está a manutenção dos salários durante afastamentos por doença. A proposta prevê a complementação salarial pela empresa, em valor equivalente à diferença entre a importância recebida do INSS e a remuneração total que o trabalhador receberia se estivesse na ativa, incluindo salários, comissões, gratificações, adicionais e PLR, até o retorno ao trabalho.
A pauta também reúne uma série de propostas destinadas a ampliar a proteção à saúde física e mental dos trabalhadores e garantir melhores condições de trabalho e amparo em momentos de vulnerabilidade. Entre as reivindicações estão a ampliação da assistência médica e da vacinação, a manutenção do seguro de vida durante o afastamento por auxílio-doença previdenciário e o reforço da proteção aos trabalhadores vítimas de assaltos.
Para os planos de saúde, a proposta estabelece um teto de 5% do salário básico para os empregados que optarem por planos superiores. Também é reivindicado o custeio ou reembolso integral de vacinas contra gripe e epidemias para empregados e dependentes. No caso do seguro de vida, a proposta prevê o custeio integral do prêmio pela empresa durante o período em que o trabalhador estiver afastado em razão de auxílio-doença previdenciário.
Em situações de assalto, a categoria reivindica reajuste de 5% acima da inflação no valor da indenização por morte ou incapacidade permanente, além de atendimento médico e psicológico imediato aos empregados presentes no local.
Direitos e proteção no ambiente de trabalho
A pauta também inclui medidas relacionadas às condições de trabalho e à atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPAA). Entre as reivindicações está o fornecimento e a higienização gratuitos de uniformes, sem a utilização de logomarcas consideradas constrangedoras, além da ampliação para 90 dias do prazo de notificação aos sindicatos sobre o término dos mandatos da CIPAA.
A categoria também reivindica a ampliação do período de utilização do plano de saúde após a demissão sem justa causa, com prazos que variam de 180 a 390 dias, de acordo com o tempo de serviço.
Outro ponto trata da garantia de direitos para casais em união estável homoafetiva, com a inclusão expressa do direito às licenças-maternidade, paternidade e adoção. A pauta ainda prevê medidas de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, como a criação de canais de apoio sigilosos, grupos voluntários de prevenção, prioridade para transferência de unidade e flexibilização do horário de expediente, de forma a contribuir para a segurança da trabalhadora.
As negociações entre o movimento sindical e a Fenacrefi terão continuidade nesta quinta-feira (24), com o aprofundamento das discussões sobre os temas relacionados à saúde e às condições de trabalho.
Fonte: Contraf-CUT



