Março mês da Mulher e de lutas contra a violência, fim da 6×1 e por representação na política
Mês da Mulher ocorre em meio a recordes de feminicídio É preciso acabar com a naturalização da barbárie: sociedade civil e poder público têm de assumir corresponsabilidade na defesa da vida.
Em 2026, o Mês Internacional da Mulher acontece no contexto de que, de uma vez por todas, a violência contra a mulher precisa acaba. Com índices de feminicídios crescentes não basta apenas o poder público ter iniciativas, elaborar políticas públicas e planos de ação. É importante que a própria sociedade assuma a corresponsabilidade no combate a esse tipo de violência: o parente próximo, o amigo, o vizinho, todos que presenciam ou desconfiam de abusos tem de agir para que os agressores sejam punidos.
Entre as bandeiras de luta para o 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – além do fim da escala 6×1, da soberania dos povos e de uma maior representação política feminina, está o fim do feminicídio.
Março não pode ser um mês somente protocolar, mas de consciência coletiva para uma realidade que não pode ser tratada como rotina. O Brasil fechou 2025 com cerca de 1.470 feminicídios – média de quatro mulheres assassinadas por dia. Mais de 1 milhão de novos processos de violência doméstica ingressaram no Judiciário. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar no último ano. Em 71% dos casos havia crianças presentes. A casa segue como o principal local da violência.
Pautas do 8 de Março:
Além da luta contra a violência contra as mulheres, ao longo de março, a CUT e sindicatos filiados promoverão seminários, rodas de conversa, atos públicos, debates em locais de trabalho e campanhas de conscientização para ampliar informação e fortalecer redes de proteção, com as seguintes pautas.
Um dos eixos centrais é a ampliação da representação feminina nos espaços de poder. Embora as mulheres sejam 52% do eleitorado brasileiro, ocupam cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado. O país aparece na 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina.
Para a CUT, não basta aumentar numericamente a presença de mulheres: é fundamental fortalecer a eleição de mulheres comprometidas com pautas progressistas, com a defesa da autonomia, da igualdade e da proteção social. A presença feminina nos espaços de decisão impacta diretamente na elaboração de políticas públicas de proteção e promoção de direitos.
A luta pelo fim da escala 6×1 ganha centralidade neste 8 de Março e no Mês Internacional da Mulher. Para elas, o impacto da jornada exaustiva é ampliado pela dupla ou tripla jornada. Enquanto homens dedicam em média 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior.
Reduzir a jornada sem redução salarial significa garantir tempo para descanso, estudo, convivência e participação política, direitos historicamente negados às mulheres.
A violência contra a mulher não é um problema isolado. É social, estrutural e coletivo, e só será superado quando cada pessoa compreender que o silêncio também alimenta esse sistema. Não tem neutralidade nessa realidade de quatro mulheres assassinadas por dia. Ou a pessoa age ou se cala. E se escolhe o silêncio, ‘não mete a colher’, permite que mais mulheres continuem morrendo.



