10º EEBAN/MS: Painéis alertam para o adoecimento mental e os impactos da IA na categoria bancária

O segundo dia do 10º Encontro Estadual dos Bancários e Trabalhadores do Ramo Financeiro de Mato Grosso do Sul (EEBAN/MS), realizado neste sábado, 30 de maio, em Ponta Porã, foi marcado por debates sobre temas centrais para a categoria, como a defesa do emprego diante do avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, a regulamentação do sistema financeiro e a saúde mental dos trabalhadores.
Antes do início dos painéis, foi formalizada a composição da mesa coordenadora para dar abertura aos trabalhos, seguida pela discussão e aprovação do Regimento Interno do evento.
Saúde Mental: O Cenário do Adoecimento Bancário
O primeiro painel do dia teve como tema “Saúde Mental – bem-estar e combate ao adoecimento”. A mesa foi conduzida por Vanderleia de Paula, diretora do Sindicato dos Bancários de Curitiba-PR e secretária de Saúde da Fetec-PR, e Juliana Moraes, assistente social do Sindicato dos Bancários de Curitiba-PR, que trouxeram dados e reflexões essenciais sobre o panorama atual de adoecimento na categoria e as estratégias de enfrentamento.
Segundo dados apresentados por Vanderleia de Paula, a preocupação constante com resultados atinge 67% dos trabalhadores, enquanto crises de ansiedade e pânico já fazem parte da rotina de mais de 53% da categoria. Ela destaca que o sistema bancário é tão invasivo que consome a identidade do trabalhador, tornando as instituições responsáveis pelo destino final de seus funcionários.
“Os bancos são responsáveis pela vida e morte do bancário porque, a partir do momento que tiram todas essas relações de trabalho, estão jogando o bancário para o penhasco; ele não se enxerga mais naquele movimento”, destacou Vanderleia de Paula.
A palestrante detalhou as ações do Sindicato dos Bancários do Paraná, que incluem a realização de audiências públicas sobre assédio e adoecimento, visitas aos locais de trabalho e a produção de vídeos de denúncia que atingem a imagem das instituições financeiras. Um ponto central é a campanha "Mude a Causa", que busca conscientizar o trabalhador sobre a necessidade de "dar uma pausa" e enfrentar de forma coletiva um sistema que ela descreve como estruturalmente adoecedor.
Complementando essa visão, a assistente social Juliana Moraes enfatizou que o adoecimento não é um problema individual, mas uma ferramenta do sistema capitalista, voltada exclusivamente para o cumprimento de metas e a geração de lucro. Ela denuncia que fenômenos como o presenteísmo (quando o bancário trabalha doente por medo de punições) e a automedicação escondida nas agências revelam o desgaste de uma categoria cansada e, por vezes, carente de consciência de classe para enfrentar a exploração dos bancos.
Portanto, para ela, o debate sobre a saúde do trabalhador deve ser um espaço de enfrentamento político, reconhecendo que o trabalho centraliza a vida e que os bancos são diretamente responsáveis pelos impactos físicos e psíquicos causados aos seus empregados. “O adoecimento bancário não é mais uma exceção, é uma regra. O sofrimento mental tem causa, nome, endereço e responsável. Temos que colocar essa responsabilidade na conta dos bancos públicos e privados”, disse Juliana Moraes.
Defesa do Emprego e Regulamentação do Sistema Financeiro
O segundo painel do dia, intitulado “Defesa do emprego frente à implementação das novas tecnologias e um Sistema Financeiro mais regulado”, foi conduzido por Cátia Uehara, assessora econômica do Dieese/SP. Em sua intervenção, a palestrante analisou os impactos da automação no mercado de trabalho bancário e debateu a urgência de uma regulamentação mais robusta para o setor financeiro, visando proteger os postos de trabalho e garantir uma transição tecnológica mais justa para os trabalhadores.
De acordo com os dados expostos, o setor investiu quase R$ 48 bilhões em tecnologia em 2025, consolidando uma tendência onde “as pessoas já não estão mais utilizando as agências bancárias para realizar transações financeiras”, uma vez que mais de 95% das operações já ocorrem via celular ou internet banking.
Para Uehara, os bancos veem a Inteligência Artificial (IA) como prioridade para “reduzir substancialmente seus custos”, com 74% das instituições focadas em economia e produtividade. Mas essa transformação reflete na redução de postos: em dez anos, a categoria perdeu 87 mil empregos. O cenário penaliza especialmente as mulheres, que ocupam apenas 25% das vagas na área de tecnologia, enquanto funções tradicionais de caixa e gerência entram em extinção. “As mulheres têm sido mais penalizadas infelizmente nesse novo contexto”, alertou.
Cátia Uehara reforçou a necessidade de os sindicatos compreenderem essas tendências para formular propostas de regulamentação da IA que garantam uma transição justa, para que a tecnologia traga benefícios reais e não apenas a destruição de postos de trabalho. “A inteligência artificial tem que vir a nosso favor e não somente destruir os empregos. É preciso tirar proveito disso através da redução da jornada de trabalho”, defendeu.
Cátia também apresentou um panorama sobre a ampliação do sistema financeiro brasileiro, destacando o crescimento acelerado das fintechs. Para ilustrar esse cenário, a palestrante trouxe números expressivos que mostram o avanço das novas plataformas digitais — como o Nubank, que já ocupa o segundo lugar em número de clientes no país, superando instituições tradicionais como o Bradesco e o Santander, além de registrar um lucro superior ao da Caixa Econômica Federal.
Após as palestras, foi aberto um espaço para interação e debate entre os participantes. Esse momento permitiu que o público fizesse perguntas diretamente às palestrantes, além de contribuir com depoimentos e complementar as informações discutidas ao longo do dia.
10º EEBAN/MS
O 10º EEBAN/MS teve início na sexta-feira, dia 29 de maio, com a abertura oficial, e seguiu com os painéis durante toda a manhã de sábado, dia 30. A programação segue no período da tarde com a plenária final para aprovação de propostas a serem encaminhadas às Conferências Regional e Nacional, eleição dos delegados e das delegadas para a Conferência Regional da FETEC-CUT/CN, além da votação de Moções.
Fonte: Comunicação do SEEBCG-MS
Fotos: Reginaldo de Oliveira/Martins e Santos Comunicação

































































