32º Grito dos Excluídos leva a voz dos trabalhadores às ruas de Dourados

Mobilização, realizada em todo o país no 7 de Setembro, reuniu movimentos sociais e sindicatos em defesa de direitos, políticas públicas e melhores condições de vida; bancários participaram do ato com suas pautas específicas
O 7 de Setembro, data em que o Brasil celebra sua Independência, também foi marcado em Dourados pela voz de trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos e organizações populares que participaram do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. Durante o desfile na Avenida Marcelino Pires, os participantes apresentaram reivindicações por trabalho digno, moradia, alimentação, saúde, segurança e respeito aos direitos sociais.
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Realizado em diversas cidades brasileiras, o Grito deste ano teve como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e como lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Em todo o país, a mobilização colocou em evidência demandas que atingem principalmente a população trabalhadora e os setores historicamente marginalizados. Segundo os organizadores, atos foram realizados em mais de 50 cidades brasileiras.
Uma história de mobilização popular
O Grito dos Excluídos e Excluídas surgiu em 1995, inspirado pela Campanha da Fraternidade daquele ano, que tinha como tema a exclusão social. A primeira mobilização ocorreu em 7 de setembro de 1995, quando o Grito ecoou em 170 localidades do país, levando às ruas a proposta de transformar a celebração da Independência em um momento de reflexão e participação popular.
Desde então, o movimento passou a ocupar o 7 de Setembro como um espaço para dar visibilidade às demandas daqueles que muitas vezes não têm suas vozes ouvidas. A ideia é fazer um contraponto ao caráter oficial das comemorações da Independência, lembrando que a soberania de um país também passa pela garantia de direitos, justiça social e condições dignas de vida para sua população.
Ao longo de mais de três décadas, as pautas foram incorporando diferentes lutas sociais, acompanhando os problemas e desafios enfrentados pelos trabalhadores e pelas comunidades. Em 2026, entre as reivindicações nacionais estão o fim da escala 6x1, moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do SUS, combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres, além do enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia.
Em Dourados, trabalhadores ocuparam as ruas
Em Dourados, a mobilização foi realizada durante o desfile de 7 de Setembro, com concentração em frente à Paróquia São José Operário e caminhada pela Avenida Marcelino Pires. A atividade reuniu diferentes segmentos da sociedade, levando para o espaço público reivindicações relacionadas ao trabalho, moradia, alimentação, saúde e direitos sociais.
Faixas, cartazes e palavras de ordem chamaram a atenção para questões como o fim da escala 6x1, melhores salários, empregos de qualidade, redução das terceirizações e ampliação dos direitos trabalhistas.
Também ganharam destaque a luta contra a violência e o feminicídio, a defesa de políticas públicas para as mulheres, a necessidade de moradia digna e o fortalecimento da agricultura familiar e das políticas de segurança alimentar.
Na área da saúde, os manifestantes reforçaram a defesa do atendimento público e de qualidade, destacando que o acesso à saúde é um direito da população e deve ser garantido por meio de políticas públicas e investimentos adequados.
Bancários fortalecem o Grito em defesa do emprego e contra os juros

Entre as entidades que participaram da mobilização esteve o Sindicato dos Bancários de Dourados e Região/MS, que levou para as ruas as reivindicações específicas da categoria e sua contribuição para a luta mais ampla dos trabalhadores.
Os diretores do Sindicato participaram do ato com uma faixa destacando bandeiras como menos juros, mais empregos, fim das terceirizações e contra as demissões nos bancos.
A presença dos bancários reforça que as questões relacionadas ao sistema financeiro também fazem parte da luta por um país com mais justiça social. Os juros elevados, a redução dos postos de trabalho, as demissões e a terceirização afetam diretamente os trabalhadores do sistema financeiro e também têm reflexos sobre toda a sociedade.
Para o Sindicato dos Bancários de Dourados e Região/MS, participar do Grito significa ocupar os espaços públicos e somar forças com outros segmentos da classe trabalhadora na defesa de direitos e de políticas que melhorem a vida da população.
A entidade havia convocado bancárias e bancários da região a participarem da mobilização, reforçando que a luta da categoria não se limita às questões específicas dos bancos, mas está relacionada à defesa do trabalho, da renda, dos serviços públicos e de uma sociedade mais justa.
Independência também significa direitos e dignidade
Mais do que acompanhar o desfile cívico, os participantes do 32º Grito dos Excluídos utilizaram o 7 de Setembro para lembrar que a independência de um país não pode ser medida apenas pela sua soberania territorial ou política.
Ela também precisa significar independência da fome, da pobreza, do desemprego, da violência, da falta de moradia e da precarização do trabalho.
Em Dourados, a participação dos bancários ao lado de movimentos sociais e outras entidades sindicais reforçou justamente essa mensagem: a construção de um país soberano passa pela valorização dos trabalhadores, pela garantia de direitos e pela criação de condições para que todas as pessoas possam viver com dignidade.
O 32º Grito dos Excluídos e Excluídas mostrou, mais uma vez, que o 7 de Setembro também pode ser um dia para dar voz a quem luta diariamente por um Brasil mais justo, democrático e socialmente igualitário.
Fonte: Seeb-Dourados e Região/MS



