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3 de Novembro de 2026 às 09:54

Economistas defendem taxação dos mais ricos e rejeitam cortes nos gastos sociais

Manifesto assinado por 50 economistas critica pressão do mercado financeiro sobre o governo eleito e aponta os juros elevados como um dos principais responsáveis pelo crescimento da dívida pública.

Um manifesto intitulado “As urnas decidiram: não ao terceiro turno do mercado”, assinado por 50 economistas e especialistas, foi divulgado no dia 30 de outubro e repercutido pela Agência Brasil em reportagem publicada em 31 de outubro. O documento critica a pressão do mercado financeiro, especialmente da chamada Faria Lima, para que o governo eleito adote um programa de cortes de aproximadamente R$ 190 bilhões nas despesas públicas, proposta associada ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro.

Segundo os signatários, a tentativa de impor essa agenda representa uma espécie de “terceiro turno” das eleições, desconsiderando a decisão das urnas. Para os economistas, a prioridade não deve ser cortar investimentos e direitos sociais, mas buscar alternativas que promovam justiça tributária e equilíbrio das contas públicas.

Taxar os mais ricos, preservar investimentos

Entre as propostas apresentadas está a antecipação da tributação mínima sobre as altas rendas, alcançando pessoas que recebem mais de R$ 600 mil por ano. A medida busca ampliar a cobrança sobre rendimentos elevados, incluindo dividendos, juros sobre capital próprio e determinadas aplicações financeiras.

O tema já está parcialmente contemplado na Lei nº 15.270/2025, mas os economistas defendem mudanças para antecipar e ampliar a aplicação da tributação. A proposta depende de novas medidas legislativas para produzir os efeitos pretendidos.

O manifesto também propõe substituir o atual arcabouço fiscal por uma regra menos rígida, retirando dos limites de despesas os investimentos públicos, os recursos destinados à saúde, à educação e ao Bolsa Família, além de investimentos em empresas estatais e no BNDES.

Outra reivindicação é impedir novas altas da taxa Selic e rever a meta de inflação, com a retomada do centro de 4,5% ao ano, em substituição aos atuais 3%.

Juros são apontados como principal problema

De acordo com os dados apresentados na reportagem da Agência Brasil, a dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, contra 71,7% em 2022. Os gastos com juros ultrapassaram R$ 1,1 trilhão em 12 meses, correspondendo a 8,9% do PIB.

Para os economistas, esses números demonstram que o custo dos juros tem peso decisivo no endividamento público e que não é justo transferir para a população trabalhadora a responsabilidade pelo ajuste das contas, por meio de cortes em políticas sociais e investimentos.

O Sindicato dos Bancários de Dourados e Região/MS defende que o debate econômico considere a importância da valorização do trabalho, da distribuição de renda e da manutenção dos investimentos públicos. A conta do equilíbrio fiscal não pode recair sobre os trabalhadores e a população mais vulnerável, enquanto as altas rendas e os elevados ganhos financeiros permanecem com tratamento privilegiado.

Veja também: Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012

Fontes para publicação e conferência:

SEEB-Dourados e Região/MS



Sindicato dos Bancários de Dourados e Região - MS

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